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O Inferno: O Paraíso dos Condenados
Parte 1
por J. Speller
Na estrada de terra, um corpo se arrasta com uma das pernas quebradas, uma tentava de suicídio mal sucedida.

"Eu deveria ter alcançado, alcançado a morte. Viver morto não me é suportável, as árvores gemem e os músculos se remexem, em um ritmo que se desacelera. O amanhã, o amanhã me espera.", fala em voz alta consigo mesmo Qi Yuan, em seguida, dá de cara com a trilha de pedregulho e de cascalho.

Um carro eletrônico às 2am passa, o motorista, uma mulher de 26 anos desempregada, tentando trampar como Uber para conseguir uma renda, ainda assim, não lhe serve e tem que trabalhar em até três plataformas distintas, para conseguir cobrir as despesas de casa e cuidar de seu pai cadeirante e sua mãe cega e surda de um ouvido.

A motorista, Liz Zhaon, se depara com um estalido alguns segundos depois de percorrer quilômetros de cascalho e de pedras pequenas. A passageira, Zuan Qu-Qu, acorda em desespero que se liquida em segundos, como uma gota d'água sobre uma frigideira superaquecida.

"Hum?", a voz rouca de quem acabara de acordar de um sono noturno e matutino tenta encontrar uma resposta. Zuan Qu-Qu observa por um instante o reflexo de si mesma no vidro centralizado, acima dos botões do menu do carro da motorista Liz Zhaon.

"Se machucou? Eu devo ter batido em algo.", Liz tenta entender o que acontecer, o carro não dá ré ele somente vai para frente.

"Não, não me machuquei não.", Zuan observa novamente o reflexo, nota um risco vermelho em sua testa, o sangue começa a escorrer. A digital esquerda do dedo indicador paira sobre o risco e por fobia de sangue desmaia.

Um som abrupto de algo se desmontando no interior do carro de Liz a assusta.

"Hã? Senhora Qu?", a voz de Liz parece mais séria do que antes.

Ninguém a responde, ela bate à janela de trás e percebe que o carro foi trancado por dentro, acidentalmente. Ela tenta abrir a porta de trás mas nenhum sinal de consciência por parte de Zuan Qu-Qu.

Liz respira fundo e esfrega a cara contra o vidro, chuta uma pedra, a areia e sem querer uma mão.

"Mm? Um bicho?", Liz sussurra para ela mesma.

Agacha-se e vê o que para ela parece um homem morto por acidente.

'Eu o matei?', o sangue de Liz começa a correr e no desespero ela pensa em deixá-la (Qu-Qu), para não ser incriminada.

Os pés de Liz salteiam em desespero para dentro da mata fechada. Um empunhando de arame farmado mergulhado em uma poça de lama, "morde" o pé de Liz, provavelmente, pertencente a Qi Yuan, o suicida.

À medida que a força aumenta do lado de fora da poça de lama, o pé de Liz afunda e o calcanhar se atrofia ao material pontiagudo. Os seus de Liz observam o céu entre o noturno e o diurno, pensa em afundá-lo mais para arrastá-lo até à superfície o esfregando contra uma das laterais da poça. Mas, nenhum efeito.

Em uma desesperança crescente, Liz opta por agachar e tirar o arame com as mãos, mesmo que doa é menos pior. O arame não somente retira os pés de Liz da poça como gruda a mão dela. Alguém passou cola no empunhado. 'Mas Porquê?', pensa Liz.

À distância algo similar ao som de um carro ligando alerta Liz. 'Ela acordou?'. O arrastar de Liz mesmo que lento é eficiente o suficiente para chegar até à margem da estrada de cascalho, porém, a inclinação a força a pedir ajuda. Com o calcanhar direito enforcado, a mão esquerda colada ao arame, a energia de Liz se esgota gradativamente.

O homem que supostamente havia sido morto por atropelamento, acordou parcialmente consciente. A pancada o atordoou e não o matou. Ele se encontra na parte externa do veículo tentando adentrar, no entanto, Zuan Qu-Qu o impede não o deixando entrar. Ele arremessa pedras e esmurra a vidraça, ela tenta ligar o carro mas a chave não está no interior do veículo, está com Liz Zhaon.

Liz geme de dor e treme-se quando tenta subir mais uma vez, e acaba furando a palma da mão direita numa pedra pontuda. Zuan reconhece a voz através do gemido e quando tenta sair do carro, o alejado joga uma pedra que a acerta em cheio.

Ele pula e a alguns centímetros de distância de Liz, olha-a com desdém e pergunta: "Sabe dirigir?".

Liz apenas acena que sim com a cabeça, rangendo os dentes e estendendo a mão perfurada pela pedra. Ele a ajuda e finalmente, em terra firme, Liz percebe algo. 'A chave do carro está comigo, mas Zuan não está mais no interior do veículo?', antes que ela possa processar o que acontece o homem a empurra de volta, afogando-a em uma nascente de cactos.

A mão leve de Qi Yuan tocou no material de aço da chave, ele bate a cabeça contra a janela do motorista, destranca o carro de dentro para fora e observa o corpo de Zuan Qu-Qu, pulando como um peixe a leva para o porta-malas, trancafia e escuta algo se restejando.

Um grunhido banhado por saliva e com gotas de sangue se revelam, a uma mão furada tentando escalar o ingrime morro que dá na estrada. O peixe saltitante a ignora, entra no carro e dirige sem olhar para trás.
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